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Reflexões - Enquanto Ainda Sou

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Enquanto ainda sou
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Reflexões

Imagaem de Flores e um ambiente surreal
Eu não sou deste tempo
Imagens gerados por IA e textos elaborados por diálogos com o ChatGPT
Enquanto ainda sou… eu me lembro.
Não sou deste tempo. Sou de uma época em que a inocência fazia parte do amor, e um toque de mãos carregava mais significado do que mil palavras digitadas. O tempo era outro… corria devagar, e a gente vivia de verdade.
Hoje, o mundo grita por liberdade, mas poucos sabem o que fazer com ela. Trocou-se a leveza da convivência por discursos prontos, por verdades enlatadas e pela ânsia de estar certo o tempo todo. O que antes era conversa de varanda virou debate de ringue. O diálogo? Sumiu. Agora há bolhas — grupos fechados onde pensar diferente virou motivo para ser excluído.
Vivemos cercados por canceladores de plantão, sentados em apartamentos, com a verdade nas pontas dos dedos — e o vazio no coração.
Lembro bem: as meninas da escola tinham um caderno de perguntas e respostas. Era um verdadeiro ritual: capa colorida, cheia de adesivos, frases de amor e recortes de revista. Passava de mão em mão, e a pergunta era sempre a mesma:
– Qual seu cantor favorito?
– Você está apaixonado por alguém?
– O que mais gosta em uma pessoa?
Era ali que as amizades se fortaleciam, que paixões silenciosas davam seus primeiros sinais. Era o nosso “Facebook”, mas sem likes — só verdade, só sentimento.
Hoje, vejo corpos tatuados como se fossem páginas rabiscadas às pressas. A arte virou excesso. Gosto de tatuagem em homens, quando carrega um significado — uma história no braço, uma marca no peito. Mas há um ponto em que o corpo deixa de contar histórias e passa apenas a exibir ruídos.
E as mulheres… Ah, como perderam algo que talvez nem saibam mais que tinham. O encanto foi trocado pela urgência de se provar. A doçura cedeu lugar ao enfrentamento. Não todas, claro — mas muitas. O movimento que prometia liberdade, às vezes, transformou algumas em caricaturas de si mesmas.
E os homens? Se calam. Se retraem. Sentem que seu lugar foi roubado… e, aos poucos, se tornam figurantes naquilo que antes era um lar.
Ainda sou daquele tempo em que um "bom dia" vinha com um sorriso. Em que o amor não precisava ser exibido — apenas vivido. Sou do tempo dos silêncios cheios, das cartas com cheiro de flor, das promessas ditas ao pé do ouvido.
Eu sou de um tempo em que a alma vinha antes do corpo. E se tudo isso parece antiquado — que bom. Porque, enquanto ainda sou, guardo comigo o que o tempo levou de tantos: a sensibilidade de amar sem manual, e a coragem de ser inteiro num mundo feito de metades.

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Caminhos Não Pavimentados
Nasceu em janeiro de 1968, em uma família simples do interior. Ainda sem compreender o mundo ao seu redor, já vivia sob o peso de um lar conturbado, num Brasil endurecido pelo regime militar. Os pais começaram do nada, com pouco além da coragem. Com o tempo, o trabalho árduo e o espírito empreendedor trouxeram prosperidade. Mas a estrutura familiar não resistiu.
Criado em meio à instabilidade, viu os pais se separarem. Foi acolhido pelos avós, que se tornaram seu porto seguro — até que a morte os levou. Então, a vida o empurrou para o trecho: trabalhos temporários, cidades desconhecidas, nenhum lugar fixo para chamar de lar.
Cansado de noites vazias, bebidas e amores passageiros, decidiu buscar estabilidade. Casou-se, quis construir um lar, um endereço. Do casamento, vieram dois filhos — e junto deles, a esperança de um novo começo. No entanto, a vida, em sua dureza e mistério, o fez viver uma dor indescritível: teve que devolver um de seus filhos para Deus.
Hoje, ao conviver com o luto, de sentir as dores da alma, ele olha para trás e não vê avenidas largas nem trilhas bem marcadas. O que há são caminhos não pavimentados — alguns, apenas atalhos por onde a dor e a coragem se entrelaçam. Ainda assim, ele continua a caminhar.
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Quem sou eu, e quem é você?
Quem sou eu, e quem é você, nesta história que nos atravessa sem pedir licença?
Não sei dizer.

Talvez sejamos apenas passageiros de um tempo que não nos pertence.
Ou talvez sejamos protagonistas de algo maior, mesmo sem compreender o roteiro.

Por que estamos aqui?
Pra quê?
São perguntas que ecoam no silêncio das noites, entre um suspiro e outro.

Às vezes, parece que somos apenas poeira no vento.
Noutras, sentimos que há um propósito esperando ser descoberto — uma missão, um toque, uma palavra certa no momento certo.

Mas enquanto as respostas não vêm, caminhamos.
Tateamos a vida como quem procura algo que perdeu antes mesmo de entender o que era.
E nesse caminho, talvez a pergunta mais importante não seja quem somos,
mas em quem estamos nos tornando.
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Quando a Saudade Acorda
Hoje, às 3:30 da manhã, despertei sem razão aparente.
Mas logo percebi: foi a saudade que me chamou.
Não aquela saudade leve, que apenas toca —
mas a que rasga, a que pesa, a que grita sem som.
Veio à mente aquele que partiu.
Não apenas ele, mas tudo o que ele não viveu.
A formatura que não aconteceu.
O casamento que não chegou.
Os filhos que não nasceram.
As risadas futuras, os domingos em família, as marcas do tempo que ele não terá.
Tudo isso foi silenciado por um gesto desesperado.
E desde então, a minha vida carrega esse som mudo,
essa ausência presente, essa avalanche que desce e soterra minha alma enquanto o mundo lá fora insiste em seguir.
A saudade, às vezes, é como um submarino.
Mergulha fundo para se proteger da dor, mas precisa emergir, precisa respirar.
E quando isso acontece, não vem leve — vem como um peso, como um grito sufocado no peito.
Há dias em que eu respiro com dificuldade, não por falta de ar,
mas por excesso de lembrança.
E mesmo assim, eu sigo.
Porque a dor, por mais cruel, também me liga a ele.
É o fio invisível que me mantém próximo, que me faz lembrar que, apesar da ausência, o amor continua — sem tempo, sem fim.
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Gotas da minha vida
foram caindo pelos caminhos por onde passei.
Deixei um pouco de mim em cada lugar: amores, paixões, segredos, ilusões.
E hoje, aqui estou.
Às vezes me sinto só, mesmo cercado por muitas pessoas.
Sentir-se só é como falar e ninguém escutar;
estar perto e não receber a atenção verdadeira — aquela que supre, aquece e preenche.
É como segurar um punhado de água:
se beber logo, até sacia a sede;
mas se demorar, ela escorre por entre os dedos,
e se perde.
Enquanto ainda somos… sejamos inteiros.
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